O Viveiro Municipal de Porto Alegre alcançou a marca de 100 espécies de árvores nativas em produção. Administrado pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade (Smamus), o espaço, localizado na Lomba do Pinheiro, mantém entre as espécies cultivadas 15 ameaçadas de extinção, três consideradas raras e duas protegidas pela legislação estadual.
Entre as árvores cuja produção é realizada pelo viveiro estão a corticeira-do-banhado e a corticeira-da-serra, espécies protegidas contra o corte no Rio Grande do Sul. A caroba, árvore nativa da região Sul, é atualmente a espécie com maior quantidade de mudas em produção.
A ampliação da variedade permite escolher árvores mais adequadas às características de cada área da cidade, levando em consideração fatores como tipo de solo, drenagem e exposição ao sol. As mudas também podem ser utilizadas em projetos de recuperação de Áreas de Preservação Permanente (APPs) e de áreas degradadas.
Produção começa com árvores matrizes
Para ampliar o catálogo de espécies, as equipes do Viveiro Municipal identificam e acompanham árvores adultas consideradas saudáveis, resistentes e bem adaptadas ao ambiente. Esses exemplares são utilizados como matrizes para a coleta de sementes que darão origem às novas mudas.
O processo é acompanhado desde a germinação até o desenvolvimento da planta. De acordo com o Viveiro, uma muda pode levar, em média, cinco anos para completar todo o ciclo de produção e atingir as condições necessárias para o plantio.
Depois da germinação, as plantas passam por diferentes recipientes conforme crescem. Inicialmente, permanecem por cerca de seis meses em tubetes de aproximadamente 13 centímetros. Em seguida, são transferidas para vasos de sete litros, onde ficam por cerca de um ano e meio.
Na etapa seguinte, as mudas passam para recipientes de 21 litros e permanecem neles por aproximadamente um ano. A fase final ocorre em vasos de 50 litros, nos quais algumas espécies podem ficar por até dois anos antes de estarem prontas para o plantio.
Diversidade ajuda na recuperação ambiental
A produção de diferentes espécies nativas contribui para ampliar a biodiversidade nos espaços urbanos e nas áreas em recuperação. As árvores também podem favorecer o equilíbrio ambiental e climático e oferecer alimento e abrigo para animais.
Segundo a Smamus, a escolha de espécies adaptadas às condições de cada região aumenta as possibilidades de sucesso dos projetos de arborização e recuperação ambiental.
Viveiro funciona há quase 50 anos
Criado em agosto de 1977, o Viveiro Municipal passou por um processo de revitalização em 2023. O espaço ocupa cerca de 3,5 hectares na Lomba do Pinheiro e produz mudas destinadas à arborização e ao paisagismo urbano, além de projetos de recuperação de áreas degradadas e conservação ambiental.
A modernização da estrutura permitiu ampliar a diversidade de espécies cultivadas e aprimorar as técnicas utilizadas pelas equipes durante as diferentes etapas de crescimento das plantas.