Quem passa pelo Mercado Público de Porto Alegre hoje talvez não imagine que o prédio já esteve ameaçado de desaparecer.
Localizado no Centro Histórico, o Mercado é atualmente um dos principais símbolos da Capital. Seus corredores reúnem restaurantes, bares, bancas, lojas e produtos que fazem parte da vida cultural e comercial da cidade.
Mas essa história começou há mais de 150 anos.
A construção do Mercado Público teve início ainda durante o Império. A pedra fundamental foi lançada em 1864, e o prédio foi inaugurado em 3 de outubro de 1869.
Naquele período, Porto Alegre era uma cidade muito diferente da atual. O Centro concentrava boa parte das atividades comerciais, e havia a necessidade de criar um espaço organizado para o comércio e o abastecimento da população.
O Mercado nasceu justamente com essa função.
O Mercado que existia em 1869 era diferente do atual
Quando foi inaugurado, o prédio tinha apenas um pavimento.
A estrutura passou por uma grande transformação décadas depois. Em 1912, o Mercado ganhou o segundo andar, modificando significativamente sua aparência.
A ampliação ajudou a formar o conjunto arquitetônico que se tornou conhecido pelos porto-alegrenses.
Mas, ao longo do século XX, o prédio também passou a enfrentar uma questão que poderia ter mudado completamente a paisagem do Centro Histórico.
O Mercado Público chegou a ser ameaçado de demolição
Em determinado momento, projetos de transformação urbana colocaram em discussão a permanência do prédio.
A ideia de modernizar o Centro fazia com que construções antigas fossem vistas, em alguns projetos, como estruturas que poderiam ser substituídas.
E o Mercado Público chegou a ser incluído nesse contexto.
A possibilidade de demolição provocou resistência de pessoas e setores que defendiam a preservação do prédio histórico.
O Mercado acabou permanecendo de pé.
A preocupação com sua preservação ganhou força e, em 1979, o prédio foi tombado pelo município como patrimônio histórico e cultural de Porto Alegre.
O tombamento foi um marco importante para garantir que aquela construção, que já fazia parte da paisagem da cidade havia mais de um século, continuasse existindo.
O prédio também sobreviveu a incêndios
A ameaça de demolição não foi o único desafio enfrentado pelo Mercado.
Ao longo de sua história, o prédio sofreu diferentes incêndios. Há registros de ocorrências em 1912, 1976, 1979 e 2013.
O incêndio de 2013 foi um dos episódios mais marcantes.
As chamas atingiram principalmente o segundo pavimento e provocaram grandes danos. Parte da cobertura, restaurantes e outros espaços foram atingidos.
O prédio precisou passar por obras de recuperação e restauração para que suas atividades pudessem ser retomadas.
E também enfrentou as grandes enchentes de Porto Alegre
O Mercado Público também esteve presente em momentos de grandes enchentes da Capital.
Em 1941, uma das maiores enchentes já registradas em Porto Alegre atingiu a região central e também afetou o Mercado.
Mais de 80 anos depois, em 2024, o prédio voltou a enfrentar uma situação semelhante.
A enchente histórica que atingiu o Rio Grande do Sul inundou o Centro Histórico de Porto Alegre e atingiu novamente o Mercado Público.
O episódio trouxe novos desafios para a recuperação e preservação de um prédio histórico que já havia atravessado tantos outros períodos difíceis.
De centro de abastecimento a patrimônio cultural
A função do Mercado também mudou com o passar do tempo.
Quando foi criado, seu principal objetivo era organizar o comércio e facilitar o abastecimento da população.
Hoje, o espaço representa muito mais do que isso.
Entre seus corredores estão restaurantes, bares, cafés, bancas e lojas que comercializam alimentos, produtos regionais, ervas, especiarias, artesanato e outros produtos.
O Mercado também se transformou em um ponto de encontro entre diferentes gerações.
Outro elemento que chama atenção está no piso do prédio: uma mandala associada à tradição religiosa afro-brasileira, que representa mais um aspecto da diversidade cultural presente no espaço.
Uma história que continua
O Mercado Público passou por transformações que acompanharam a própria evolução de Porto Alegre.
Nasceu no século XIX, quando a cidade ainda tinha uma configuração completamente diferente da atual.
Ganhou um segundo pavimento, enfrentou incêndios, resistiu a enchentes, passou por restaurações e chegou a ser ameaçado de demolição.
Mas permaneceu.
Mais de 150 anos depois de sua inauguração, o Mercado Público continua no Centro Histórico e segue exercendo uma função que mudou de forma, mas não perdeu sua essência: ser um lugar de comércio, encontro e convivência.
A história do Mercado é também uma história sobre a preservação da memória de Porto Alegre.
Porque aquele prédio que um dia poderia ter sido demolido acabou se tornando um dos maiores símbolos da cidade.