A Polícia Civil do Rio Grande do Sul adotou uma nova abordagem estratégica para combater o crime organizado em Porto Alegre. Após uma série de confrontos no final de junho que resultou em dez mortes, o Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) direcionou suas ações para a asfixia financeira das facções criminosas, visando desestabilizar o poder econômico dos líderes do tráfico de drogas.
Em entrevista à Rádio Guaíba, o diretor do DHPP, delegado Mario Souza, explicou que a repressão agora foca na lavagem de dinheiro e no congelamento de contas bancárias. O objetivo das autoridades de segurança pública é dilapidar o patrimônio individual e familiar dos criminosos, atingindo fontes de renda alternativas fora do comércio de entorpecentes e demonstrando que os homicídios geram prejuízo direto ao caixa das organizações.
Além do bloqueio de bens, as forças de segurança atuaram em conjunto com a Brigada Militar para realizar a saturação dos pontos de tráfico na capital. Essa ocupação ostensiva reduziu significativamente a comercialização de substâncias ilícitas nas comunidades, interrompendo o fluxo de caixa diário que financiava o armamento e a logística dos grupos rivais envolvidos nos atritos recentes.
O plano de contingência também se estende ao sistema prisional, com a realização de vistorias rigorosas em celas e revistas de detentos em parceria com a Polícia Penal. Sob avaliação da cúpula da segurança está a transferência de presos para o Sistema Penitenciário Federal, medida considerada severa e necessária para isolar os mandantes dos crimes e consolidar a redução dos índices de criminalidade na região metropolitana.