Embarcou nesta terça-feira (28/7) rumo a Astana, no Cazaquistão, o estudante do 9º ano do Ensino Fundamental do Colégio Farroupilha, de Porto Alegre, que vai representar o Brasil na International Olympiad in Artificial Intelligence. A IOAI 2026 ocorre de 2 a 8 de agosto.
Gonçalo Franke Franco conquistou a medalha de ouro na 2ª edição da Olimpíada Nacional de Inteligência Artificial (ONIA) e, após apresentar um desempenho de destaque ao longo das quatro fases da competição, foi um dos quatro brasileiros escolhidos para integrar a delegação nacional na etapa mundial.
Para alcançar o topo do pódio nacional, a jornada exigiu dedicação intensiva e suporte pedagógico. No Colégio Farroupilha, o incentivo às olimpíadas do conhecimento integra a rotina escolar por meio da área de Tecnologia Educacional. A instituição oferece suporte especializado, momentos de reforço de conteúdos e promove encontros quinzenais dedicados a estudos de tecnologia entre estudantes com interesses comuns, além de atuar como polo de aplicação das fases da ONIA.
O gestor de Tecnologia Educacional e professor de Inovação e Robótica, Roger Pereira, destaca que o processo seletivo consistiu em quatro fases com provas teóricas rigorosas, todas acompanhadas de perto pelo Colégio. “Nós disponibilizamos encontros para orientação, resolução de provas anteriores e tiramos dúvidas. Nosso papel é incentivar a autonomia e dar o respaldo técnico e institucional para que o estudante desenvolva todo o seu potencial”, destaca.
O interesse de Gonçalo por Inteligência Artificial se intensificou com o avanço dos grandes modelos de linguagem. Motivado pela curiosidade em entender não apenas o uso, mas o funcionamento interno dessas ferramentas, como a matemática e as estruturas de redes que sustentam a tecnologia, o estudante dedicou cerca de seis meses a estudos teóricos e práticos complementares.
A meta dele reflete o compromisso com a responsabilidade social e científica: Gonçalo pretende pesquisar soluções para aprimorar a confiabilidade dos sistemas de IA, atuando na detecção de “alucinações” (situações em que os modelos geram informações incorretas com aparente certeza).
“Essa experiência me ajudou a desenvolver disciplina e organização para conciliar as aulas regulares com a preparação olímpica. Representar o Brasil e ter a chance de conviver com estudantes do mundo inteiro, além de participar de programações com a Unesco no Cazaquistão, será uma oportunidade incrível de aprendizado”, afirma Gonçalo.
Sobre o impacto nas relações, ele entende a Inteligência Artificial como uma revolução semelhante à provocada pelos computadores e pela internet, que deverá automatizar determinadas tarefas, modificar diversas profissões e exigir que trabalhadores e instituições se adaptem a novas ferramentas e formas de produção. “Isso, com certeza, me motiva, dado que essas outras transformações, mesmo muito inconsistentes no começo, trouxeram grandes benefícios”, explica.
O desafio internacional
A IOAI reunirá jovens talentos de dezenas de países. Em Astana, a competição será dividida em duas modalidades: uma prova individual focada em programação e desenvolvimento de modelos de IA, e um desafio em equipe envolvendo tarefas práticas com robôs antropomórficos. A programação inclui também agendas institucionais, como uma visita a um centro internacional de tecnologia e debates sobre o uso responsável da IA.
SOBRE O COLÉGIO FARROUPILHA
Fundado em 1886 pela Associação Beneficente e Educacional de 1858, o Colégio Farroupilha é uma das instituições de ensino mais tradicionais do Rio Grande do Sul. Da Educação Infantil ao Ensino Médio, dedica-se a formar cidadãos competentes, éticos e globais, valorizando a individualidade e incentivando a realização de projetos de vida. Sua filosofia é pautada por valores como bom relacionamento, excelência, disciplina e sustentabilidade, aliando tradição centenária à inovação pedagógica e tecnológica para preparar os estudantes aos desafios do mundo contemporâneo.