Uma complexa operação de manejo de fauna marcou o início das obras de manutenção no Viaduto dos Açorianos, em Porto Alegre. Para permitir a secagem do espelho d’água, biólogos e veterinários da Smamus coordenaram o resgate de 30 carpas que habitavam o local. O rebaixamento da água foi feito de maneira gradual por motobombas, uma estratégia essencial para evitar o estresse hídrico e manter a oxigenação adequada dos animais durante o processo de captura.
A equipe técnica deparou-se com exemplares de grande porte, formados majoritariamente por carpas-comuns e carpas-espelho. Alguns espécimes, que vivem no local há mais de oito anos, chegaram a medir 60 centímetros de comprimento e pesar mais de cinco quilos. A captura ocorreu de forma estritamente manual, com o uso de redes de arrasto macias, conhecidas como camaroeiros, para garantir a integridade física dos peixes.
Antes de deixarem o Centro Histórico, todos os animais passaram por uma rigorosa triagem veterinária na própria borda do lago. O objetivo era atestar a ausência de parasitas ou lesões. Com a saúde confirmada, as carpas foram acondicionadas em caixas térmicas oxigenadas e transportadas em um caminhão adaptado para os lagos do Parque Farroupilha (Redenção) e para os tanques do Viveiro Municipal, locais escolhidos por possuírem biomas aquáticos já estabilizados.
O retorno dos peixes ao seu habitat de origem está condicionado à finalização da limpeza e à neutralização do lodo, que vinha causando risco de picos de amônia. Quando o espelho d’água for reabastecido, a prefeitura fará medições laboratoriais da água. Para garantir a longevidade dos animais após o repovoamento, novas placas de sinalização serão instaladas, alertando pedestres sobre a proibição de alimentar os peixes com pães e restos de comida.