As obras de proteção contra cheias nas Estações de Bombeamento de Água Bruta (Ebabs) Moinhos de Vento e Menino Deus, operadas pelo Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae), entraram na reta final. As equipes trabalham na concretagem das câmaras de descarga construídas junto aos poços de visita das unidades operacionais.

Durante a cheia histórica de 2024, a ausência de proteção nos poços de visita da Ebab Moinhos de Vento, localizada na rua Voluntários da Pátria, foi o principal fator que provocou a interrupção das atividades do sistema por 12 dias. A estação funciona no mesmo terreno da captação do Sistema São João, que operou normalmente por não apresentar a mesma vulnerabilidade.

“As estações de bombeamento de água bruta representam a primeira etapa do processo de tratamento da água para consumo. Como precisam captar a água diretamente no Guaíba, permanecem no mesmo nível do manancial. As intervenções em andamento eliminam pontos de vulnerabilidade identificados durante a cheia de 2024 e tornam essas estruturas mais resilientes diante de eventos extremos”, afirma o diretor-presidente do Dmae, Vicente Perrone.

Nas duas estações, as obras incluem a construção de câmaras de descarga junto aos poços de visita, solução que impede a entrada da água das cheias pelas estruturas de acesso às tubulações.

Já na Ebab Menino Deus, o projeto prevê, adicionalmente, a instalação de tampas herméticas nos poços de visita das adutoras de captação de água bruta. Os equipamentos serão instalados nos próximos dias, no interior do Parque Marinha do Brasil. A previsão é de conclusão de todas as intervenções até o fim de agosto.

Condutos forçados – As obras de proteção contra cheias realizadas nos condutos forçados Álvaro Chaves, Polônia, Miguel Couto e Areia foram concluídas na sexta-feira, 17. Novas tampas herméticas, projetadas para suportar a pressão exercida pela água em eventuais elevações do nível do Guaíba e do rio Jacuí, foram instaladas junto às tubulações. Com isso, os condutos forçados poderão operar com mais segurança durante episódios de cheia, mantendo a capacidade de conduzir a água da chuva das regiões mais altas da cidade em direção aos mananciais.

Pôlderes 7 e 8 – As obras de proteção contra cheias entre os bairros Anchieta e Sarandi, na Zona Norte, superaram a marca de 30% de conclusão. Com investimento de R$ 47 milhões, o projeto prevê a implantação de barreiras de proteção nos pontos de encontro do rio Gravataí com os arroios Passo das Pedras e Areia. As intervenções impedirão o avanço das águas durante eventuais episódios de cheia.

Usina do Gasômetro – A Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura (Smoi) trabalha na contratação das correções pontuais no prédio da Usina do Gasômetro, no Centro Histórico, visando à proteção da estrutura em caso de cheia do Guaíba. As obras, já iniciadas, serão concluídas até o final de agosto.

Malha ferroviária – Os trilhos da empresa Rumo, que fragilizam o sistema de proteção contra cheias na avenida Ernesto Neugebauer, receberão obras do Dmae nas próximas semanas. A previsão é de que as melhorias sejam concluídas em menos de um mês após o início das intervenções.

Dupla alimentação de energia – As Estações de Bombeamento de Águas Pluviais (Ebaps) dos bairros Sarandi e Anchieta, na Zona Norte, estão sendo ligadas à rede de energia que atenderá exclusivamente as estruturas operadas pelo Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae). As casas de bombas 6, 9, 10, 20 e 21 fazem parte da quarta etapa das obras contratadas junto à CEEE Equatorial, que devem ser concluídas em novembro.

Além do lote 4, que já se encontra na fase de implantação dos novos postes, também está em andamento o lote 3, ainda na etapa de projetos. Os dois primeiros já foram entregues, garantindo a dupla alimentação de energia elétrica às Estações de Tratamento de Água (ETAs) Moinhos de Vento, São João, Menino Deus e Tristeza, bem como à Ebap 7, localizada na avenida Sertório.

Casas de bombas – Permanece em andamento a elaboração e consolidação dos projetos executivos das obras de resiliência climática nas Ebaps 1, 3, 4, 5, 6, 8, 10, 12, 17, 18 e 20. A etapa antecede o início das intervenções civis – que incluem a qualificação das estruturas prediais, além do fornecimento e da instalação de novos equipamentos eletromecânicos.

Parte das bombas verticais será substituída por modelos submersíveis, mais adequados para operação em situações extremas. Os painéis de comando serão elevados, e geradores de energia passarão a ser instalados de forma permanente nas unidades.

Comportas – A modernização das comportas do sistema de proteção contra cheias está concluída. Das 14 passagens existentes no sistema até a cheia histórica de 2024, oito foram substituídas por estruturas permanentes em concreto armado: 3, 5, 7, 8, 9, 10, 13 e 14. Já as comportas 11 e 12 foram integralmente substituídas por novas estruturas móveis, enquanto as comportas 1, 2, 4 e 6 passaram por um processo completo de recondicionamento.

Diques – Equipes da prefeitura, lideradas pelo Departamento Municipal de Habitação (Demhab) e pelo Escritório da Reconstrução, seguem trabalhando no acolhimento das famílias que residem na área do trecho 3 do Dique do Sarandi. A última etapa de intervenções na estrutura de proteção contra cheias, contemplando dois quilômetros de extensão, será iniciada assim que a área estiver liberada.

Os trechos 1 e 2 do dique já tiveram a reconstrução concluída, totalizando 1,5 quilômetro de estrutura com cota superior a 5,8 metros em relação ao rio Gravataí. O mesmo ocorreu no dique localizado junto à sede da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), que passou por obras entre julho de 2024 e janeiro de 2025. O Muro da Mauá, no Centro Histórico, também recebeu intervenções, com revisão estrutural e correção das patologias identificadas.