O ninho de caturritas que estava há décadas em uma árvore no pátio da Capitania Fluvial de Porto Alegre, na Rua dos Andradas, no Centro Histórico, foi removido na manhã desta sexta-feira (21). A árvore havia sido atingida por um temporal e apresentava comprometimento estrutural, com risco de queda. A operação começou por volta das 9h, com o local isolado e sinalizado e o auxílio de um caminhão do Corpo de Bombeiros.

A remoção causou comoção entre moradores da região que conviviam há anos com as aves. Geiza Eliana Damasceno Silveira, de 65 anos, síndica de um prédio em frente ao pátio, afirmou que acompanhou a presença das caturritas durante cerca de três décadas. “Me deu um nó na garganta. Me deu uma sensação de perda”, relatou. Segundo ela, os moradores chegaram a chamar o local de “condomínio das caturritas” devido à quantidade de aves que frequentava o ninho.

O trabalho foi acompanhado por uma equipe da Divisão de Fauna da Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema). Conforme os técnicos, o ninho foi retirado inteiro para verificar a presença de ovos ou filhotes, mas nenhum foi encontrado. A estrutura foi deixada no chão, dentro da área da Marinha do Brasil, para que as caturritas possam eventualmente reutilizar parte dos materiais na construção de um novo abrigo. A Sema informou que a intervenção ocorreu devido ao risco iminente de queda da árvore.

Em nota, a Capitania Fluvial de Porto Alegre afirmou que a retirada da árvore foi necessária para garantir a segurança dos pedestres e evitar riscos relacionados à estabilidade do ninho. Segundo a corporação, a remoção foi autorizada pelo Ibama e realizada seguindo orientações da Sema, com apoio do Corpo de Bombeiros. A Capitania destacou ainda que a inspeção técnica não encontrou ovos ou filhotes e que as caturritas possuem capacidade de adaptação e construção de novos abrigos, afirmando que a medida buscou conciliar a segurança no local com a proteção da fauna.