Motoristas e entregadores de aplicativos realizaram uma paralisação nacional nesta terça-feira (14), com protestos em diversas capitais brasileiras contra o Projeto de Lei Complementar (PLP) 152/2025, que propõe regulamentar o trabalho por plataformas digitais no país. A mobilização incluiu carreatas, atos públicos e pressão direta sobre parlamentares.
Manifestações foram registradas em cidades como São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro, Recife e Natal, em Porto Alegre, a manifestação aconteceu no Largo Zumbi dos Palmares. Na capital federal, trabalhadores seguiram em comboio até a Esplanada dos Ministérios, em uma tentativa de dialogar com deputados e barrar o avanço da proposta.
A pressão da categoria contribuiu para o adiamento da votação do projeto na Câmara dos Deputados, evidenciando a falta de consenso em torno do texto.
Entre os principais pontos criticados pelos trabalhadores está a manutenção do modelo sem vínculo empregatício, classificando motoristas e entregadores como autônomos. O projeto também prevê um valor mínimo por corrida e contribuição previdenciária com alíquotas reduzidas.
Para representantes da categoria, o texto não reflete a realidade dos profissionais e pode reduzir ainda mais os ganhos líquidos, já impactados por custos como combustível, manutenção e taxas das plataformas.
Motoristas também defendem mudanças no modelo de remuneração, com pagamento que leve em conta tempo e quilometragem, além de maior participação nas decisões que afetam o setor.
A insatisfação com o PL 152 já vinha crescendo nos últimos dias, com convocação de protestos em diversas regiões do país. Em alguns locais, a categoria chegou a organizar paralisações prolongadas como forma de pressionar o Congresso por alterações no texto.
Lideranças do movimento afirmam que o projeto, da forma como está, precariza as condições de trabalho e não contempla reivindicações consideradas essenciais, como remuneração mínima mais alta e garantias básicas.
Apesar das críticas, entidades que representam as plataformas reconhecem a necessidade de regulamentação, mas defendem ajustes para evitar impactos negativos no equilíbrio entre oferta, demanda e renda dos trabalhadores.
Sem acordo entre governo, parlamentares e trabalhadores, o futuro do PL 152 segue indefinido, enquanto a mobilização nacional reforça a pressão por mudanças no texto antes de uma nova tentativa de votação.