Os furtos de cabos da rede elétrica causaram a interrupção no fornecimento de energia para 22,9 mil clientes em Porto Alegre nos quatro primeiros meses de 2026. O número representa uma redução de aproximadamente 15% em relação ao mesmo período do ano passado, mas ainda equivale a quase três casos por dia na capital gaúcha.

Dados levantados pelo Centro de Operações Integradas da CEEE Equatorial mostram que os clientes são mais impactados nos bairros da zona norte (São Geraldo, São João, Floresta, Higienópolis), da região central (Moinhos de Vento, Auxiliadora, Montserrat, Bom Fim, Cidade Baixa), da zona leste (Jardim Botânico, Partenon) e da zona sul (Glória, Santa Tereza, Cristal).

Para contribuir com o enfrentamento ao furto de cabos, a CEEE Equatorial vem ampliando as ações em parceria com órgãos de segurança e também adotou uma inovadora nanotecnologia de rastreamento de cabos, que permite identificar o material furtado e contribuir para o combate à receptação.

Em 2026, foram realizadas 89 ações conjuntas com a Polícia Civil, a Guarda Municipal de Porto Alegre e a Brigada Militar, no âmbito da Operação Fios e Cabos, em estabelecimentos de reciclagem e comércio de sucata, resultando na prisão de 26 pessoas suspeitas de receptação de materiais furtados da rede elétrica.

As iniciativas fazem parte de uma estratégia integrada da distribuidora para proteger a infraestrutura elétrica, reduzir prejuízos à população e combater o mercado ilegal que sustenta essas práticas criminosas. Para diminuir o interesse dos criminosos, a CEEE Equatorial tem utilizado cabos de alumínio em algumas instalações, devido ao seu menor valor de mercado.

A tecnologia, utilizada também pelo Exército Brasileiro no rastreamento de explosivos, funciona de forma invisível e contribui diretamente para investigações policiais, facilitando a comprovação da origem ilícita e reforçando a responsabilização dos envolvidos.

Trata-se de um componente aplicado aos equipamentos da rede elétrica, que reflete uma coloração específica quando submetido à iluminação a laser. Assim, mesmo que o material seja raspado ou derretido, é possível identificar que pertence à distribuidora. Essa tecnologia vem sendo aplicada em subestações de energia e em áreas consideradas sensíveis.

O furto de materiais da rede elétrica representa um risco significativo para a população, podendo causar interrupções no fornecimento de energia, afetar serviços essenciais e provocar acidentes graves. Além disso, os danos geram custos adicionais que impactam diretamente a operação do sistema elétrico.

“Essas ações não apenas combatem o crime, mas também protegem a população e garantem a continuidade do fornecimento de energia. É um trabalho integrado, que une tecnologia, inteligência e atuação conjunta com os órgãos de segurança pública”, destaca o Executivo de Manutenção da CEEE Grupo Equatorial, Fernando Ortiz.

O enfrentamento ao furto de cabos também ganhou reforço com a sanção da Lei nº 15.397, em 2026, que endureceu as penas para crimes envolvendo infraestruturas essenciais. O furto de fios, cabos e equipamentos utilizados em energia, telefonia e dados passou a prever pena de 2 a 8 anos de reclusão. A pena será de 6 a 12 anos quando o roubo atingir bens que comprometam serviços essenciais.

Em 2025, a legislação já havia endurecido as punições para receptação simples (até 4 anos de reclusão e multa) e receptação qualificada (até 8 anos, podendo chegar a 16 anos quando envolve bens relacionados a serviços essenciais). A nova legislação representa um avanço importante na repressão desses crimes, aumentando a responsabilização penal e desestimulando a atuação de organizações criminosas.

A colaboração da população é fundamental para o sucesso das ações. Denúncias podem ser feitas de forma anônima à Brigada Militar (190), ao Disque Denúncia da Secretaria de Segurança Pública (181), à Polícia Civil (197) ou pela Central de Atendimento da CEEE Equatorial: 0800 721 2333.