Aos 41 anos, Cristian Emanuel de Azeredo vive há cerca de um ano na Avenida Baltazar de Oliveira Garcia, em Porto Alegre, onde tenta reconstruir a própria vida após mais de uma década de dependência de crack, perdas familiares e episódios de violência. Em situação de rua, ele encontrou na leitura uma estratégia para enfrentar o vício e manter o foco em um possível recomeço.
Natural do Rio Grande do Sul, Cristian relata uma trajetória marcada por rupturas. Ele perdeu o irmão, mudou-se para Santa Catarina com a mãe e, durante esse período, sofreu mais uma perda: a mãe foi morta. Sem estrutura familiar e sem moradia, acabou ficando sem recursos e passou a viver nas ruas. A dependência química, segundo ele, agravou ainda mais a situação ao longo dos anos.

Mesmo diante das dificuldades, Cristian afirma que busca alternativas para se afastar do uso da droga. “Quando bate a vontade, eu leio”, relata. O hábito se tornou uma forma de ocupar o tempo e desviar o pensamento, funcionando como um recurso pessoal no enfrentamento à dependência.
Os livros utilizados por ele são emprestados pela tradicional banca Baltazar, localizada na própria avenida onde vive. O acesso ao material, ainda que simples, tem papel importante na rotina de Cristian, que encontra na leitura uma forma de concentração e alívio em meio à vulnerabilidade.
Atualmente, ele afirma se sentir seguro na região onde permanece e tenta, aos poucos, reorganizar a própria vida. Sem esconder as dificuldades, Cristian diz que o processo de mudança é constante e exige esforço diário, especialmente diante das recaídas e da realidade das ruas.