O homem acusado de matar a estudante de enfermagem Camilla Lopes Fruck, de 25 anos, atingida por uma bala perdida durante um confronto entre facções criminosas na Restinga, será julgado pelo Tribunal do Júri nesta quinta-feira (6), no Fórum Central de Porto Alegre. O réu responde por homicídio qualificado por motivo torpe e por empregar meio que resultou em perigo comum, na forma de erro na execução.
De acordo com a denúncia do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), o crime ocorreu na madrugada de 16 de novembro de 2024, na Estrada João Antônio da Silveira. O acusado participava de uma troca de tiros motivada por disputas entre grupos ligados ao tráfico de drogas quando diversos disparos foram efetuados em via pública.
Camilla estava em um carro com amigos quando foi atingida por um tiro na cabeça. Ela chegou a ser socorrida e levada ao Hospital da Restinga, mas não resistiu aos ferimentos.
As investigações concluíram que a estudante não tinha qualquer ligação com o confronto. Segundo o MPRS, os disparos tinham como alvo integrantes de uma facção rival, mas acabaram atingindo a jovem.
Durante a instrução do processo, a Polícia Civil reuniu depoimentos de testemunhas, imagens de câmeras de monitoramento e laudos periciais que embasaram a decisão de submeter o acusado ao Tribunal do Júri.
A acusação será conduzida pelo promotor de Justiça Eugênio Paes Amorim. Para ele, o caso demonstra que a violência provocada pelas disputas entre facções também atinge pessoas sem qualquer envolvimento com o crime organizado. “O caso desmente a falácia popular de que as mortes são ‘entre eles’, demonstrando a subjugação das comunidades pelos traficantes e a necessidade imperiosa de punição e encarceramento”, afirmou.