O surgimento de feridas na boca que não cicatrizam em até 15 dias, rouquidão contínua ou caroços no pescoço costumam ser negligenciados na rotina diária. Contudo, esses sinais aparentemente simples podem indicar a presença do câncer de cabeça e pescoço – termo que engloba tumores que atingem regiões como boca, laringe, faringe, cavidade nasal e tireoide. No mês de conscientização da doença, o Julho Verde, o Hospital Moinhos de Vento reforça o alerta para a identificação precoce dos sintomas e adverte sobre os principais fatores de risco associados à doença.
Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), são estimados cerca de 40 mil novos casos desses tumores por ano no Brasil. O câncer de cavidade oral, por exemplo, figura entre os mais frequentes na população masculina. A grande preocupação dos especialistas é que cerca de 60% a 70% dos pacientes chegam ao consultório em estágios avançados, o que reduz radicalmente as possibilidades de cura e exige intervenções terapêuticas mais agressivas.
“O grande desafio do câncer de cabeça e pescoço é que os sintomas iniciais costumam ser silenciosos ou confundidos com desconfortos banais, como aftas ou dores de garganta comuns. Quando o diagnóstico é feito na fase inicial, a chance de cura pode ultrapassar 80% a 90%, além de permitir tratamentos menos invasivos que preservam funções essenciais do paciente, como a fala e a deglutição”, destaca o cirurgião de cabeça e pescoço da Oncologia do Hospital Moinhos de Vento, Daniel Sperb.
Sinais de alerta e identificação precoce
A atenção às alterações contínuas no próprio corpo é o primeiro passo para o combate à doença. Sperb recomenda buscar avaliação médica ou odontológica imediata caso qualquer alteração persista por mais de 14 dias. Entre as principais manifestações estão o aparecimento de feridas na boca ou nos lábios que não cicatrizam, manchas brancas ou vermelhas na língua e bochechas, bem como o surgimento de nódulos perceptíveis na região do pescoço. Da mesma forma, alterações persistentes na voz, como rouquidão contínua, dores ou dificuldades ao engolir e a sensação constante de um corpo estranho instalado na garganta exigem investigação especializada imediata.
Fatores de risco e formas de prevenção
A combinação do tabagismo com o consumo excessivo de álcool figura como a principal causa da enfermidade, potencializando de forma exponencial as chances de desenvolvimento tumoral quando ambos os hábitos estão associados, segundo Sperb. Entretanto, o chefe da Oncologia do Hospital, Sergio Roithmann, alerta que o perfil dos pacientes com câncer de orofaringe está mudando, em razão da infecção pelo Papilomavírus Humano (HPV). “A infecção não tem sintomas. Então este é um problema que pode afetar qualquer pessoa”, acrescenta.
A adoção de práticas sexuais seguras aliada à vacinação contra o HPV, a manutenção de uma rotina rigorosa de higiene bucal com consultas odontológicas regulares e a proteção labial contra a radiação solar por meio do uso diário de protetor labial com FPS também são medidas determinantes para mitigar os riscos. Além da eliminação completa do fumo, incluindo cigarros tradicionais, charutos, palheiros e dispositivos eletrônicos de fumar, e o consumo de bebidas alcoólicas.