A tecnologia e a participação cidadã podem se tornar aliadas no combate à violência de gênero na capital gaúcha. Começou a tramitar na Câmara Municipal de Porto Alegre um projeto de lei que visa criar um mapa colaborativo de pontos inseguros para mulheres. De autoria da vereadora Biga Pereira (PCdoB), a iniciativa busca identificar e monitorar geograficamente locais com maior incidência de assédio e agressões de forma dinâmica.
O mapeamento proposto será alimentado por duas frentes principais de informação. Além de integrar dados oficiais de órgãos de segurança pública e registros de ocorrências policiais, a plataforma contará com canais de consulta pública direta. Essa participação comunitária digital permitirá atualizações periódicas sobre a percepção real de segurança de quem transita diariamente pelas vias públicas de Porto Alegre.
A partir dos pontos críticos apontados no mapa digital, o poder público poderá direcionar ações específicas de zeladoria e infraestrutura de forma mais ágil. Estão previstas intervenções prioritárias em áreas de maior vulnerabilidade indicadas pelas usuárias. O plano inclui o reforço em pontos cegos da cidade, melhorias na mobilidade urbana e ajustes nas paradas de ônibus para reduzir as chances de abordagens violentas.
De acordo com a justificativa do projeto, o desenho urbano atual afeta diretamente o direito de ir e vir das cidadãs, uma vez que trajetos isolados e sem monitoramento ampliam os riscos cotidianos. Com o início da tramitação nas comissões da Câmara de Porto Alegre, o texto agora passa por análise técnica e jurídica antes de ser encaminhado para debate e votação em plenário pelos vereadores.
CMPA.