Imagens obtidas pelo portal Alma Preta e divulgadas nesta terça-feira (30) mostram uma abordagem realizada por policiais da Brigada Militar dentro de uma unidade do Carrefour no bairro Partenon, em Porto Alegre, em junho de 2024. Nas gravações, o adolescente Jonas de Lima, então com 17 anos, e sua mãe, Juliana Campos, aparecem sendo imobilizados e agredidos durante uma ocorrência iniciada após suspeitas de furto levantadas por funcionários do estabelecimento. A família afirma ainda ter sido alvo de ofensas racistas durante o episódio.
Segundo o relato dos envolvidos, eles estavam no supermercado acompanhados de outras crianças quando passaram a ser monitorados por um funcionário. Juliana afirma que, ao questionar a situação, foi insultada com expressões racistas. A denúncia também aponta que um menino autista de 11 anos, que estava com a família, teria sido empurrado durante a ação policial. As acusações são acompanhadas pelo Instituto Caminho – Raça e Acesso à Justiça, responsável pela defesa da família.
A abordagem ocorreu após funcionários acusarem a família de furtar produtos avaliados em cerca de R$ 260. No entanto, o caso foi analisado pela Justiça, que rejeitou as provas apresentadas e concluiu que não havia elementos suficientes para comprovar o suposto crime. Em decisão judicial, o juiz Pietro de Brida Migliavacca afirmou que a família foi vítima de discriminação e de uma ação considerada truculenta por agentes públicos e privados durante a realização de compras no supermercado.
Além das agressões registradas no local, Jonas e Juliana relatam que continuaram sofrendo violência e ameaças durante o deslocamento e permanência em delegacias. A Corregedoria da Brigada Militar arquivou a investigação sobre a conduta dos policiais envolvidos. Já o Carrefour informou que mantém programas de treinamento voltados à prevenção da discriminação e aos direitos humanos, mas não respondeu especificamente sobre as acusações do caso. A família segue buscando responsabilização pelos episódios de racismo e violência denunciados.
A decisão judicial também levou o Ministério Público a analisar se os fatos podem representar descumprimento do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado pelo Carrefour após a morte de João Alberto Freitas, em 2020. Entidades que acompanham o caso defendem que a abordagem sofrida pela família demonstra falhas no cumprimento das medidas previstas para combater práticas discriminatórias dentro das unidades da rede.