Uma facção criminosa suspeita de movimentar mais de R$ 55 milhões por meio do tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e corrupção tornou-se alvo de uma grande operação deflagrada na manhã desta quinta-feira (11) pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS). A ofensiva busca desarticular a estrutura do grupo, que, conforme a investigação, mantinha influência tanto nas ruas quanto dentro do sistema prisional gaúcho.
Batizada de Operação Aliança Velada, a ação cumpriu 30 mandados de prisão preventiva e 40 mandados de busca e apreensão em diversas cidades do Estado. A Justiça também determinou o bloqueio de R$ 27,8 milhões, além do sequestro de veículos e imóveis ligados aos investigados.
As ações ocorreram em Uruguaiana, Itaqui, São Borja, Charqueadas, Novo Hamburgo, Triunfo, Viamão e Porto Alegre, além de estabelecimentos prisionais considerados estratégicos para a atuação da organização.
As investigações apontam que a organização criminosa atuava de forma estruturada, com núcleos responsáveis pela gestão financeira, execução de crimes, lavagem de dinheiro e corrupção de agentes públicos. Parte das ordens para o tráfico e outras atividades criminosas partiria de dentro de penitenciárias da Fronteira Oeste e da Região Carbonífera.
Segundo o MPRS, dez dos mandados de prisão têm como alvo líderes da facção que continuavam comandando as atividades criminosas mesmo estando presos. Entre os investigados também estão dois policiais penais suspeitos de facilitar a entrada de celulares e drogas em unidades prisionais mediante pagamento.
A apuração identificou que o grupo utilizava contas de terceiros, empresas de fachada e até uma organização não governamental (ONG) para ocultar e movimentar recursos obtidos de forma ilícita. O esquema teria movimentado R$ 55,7 milhões em apenas 16 meses.
A investigação teve início após a análise de um telefone celular apreendido em outra operação do Gaeco. A partir do material, os promotores identificaram uma rede criminosa com divisão de tarefas, forte estrutura financeira e atuação voltada ao fortalecimento do tráfico de drogas na Fronteira Oeste.
De acordo com o coordenador estadual do Gaeco, promotor Rogério Meirelles Caldas, a operação busca interromper a atuação de um grupo que dependia da corrupção dentro do sistema prisional para manter suas atividades criminosas.