As declarações do humorista e influenciador Jota durante entrevista ao programa Raio X desta quarta-feira (20) escancararam mais uma vez o clima de polarização que domina o debate político e social no Rio Grande do Sul. Ao comentar nomes ligados à política gaúcha e às discussões sobre representatividade racial, cultura e identidade, o influenciador adotou um tom duro e provocativo, especialmente ao falar sobre o ex-árbitro e vereador suplente de Porto Alegre Márcio Chagas. Segundo Jota, Chagas teria construído sua trajetória pública em torno do episódio de racismo que sofreu durante sua carreira no futebol. “Ao meu ver, ele é um cara derrotado”, afirmou, acrescentando que espera que jovens negros da periferia não o tenham como referência política ou social.
As falas também atingiram diretamente o deputado estadual Matheus Gomes, alvo de críticas do influenciador ao comentar pautas ligadas à identidade e representatividade no Legislativo. Apesar de reconhecer inteligência e formação política do parlamentar, Jota afirmou que Matheus buscaria “validação externa” ao levantar debates como a suposta conotação racista do hino do Rio Grande do Sul. Em outro momento da entrevista, o humorista ainda questionou a existência de uma “bancada negra” no sentido ideológico do termo, afirmando que há apenas “uma bancada de pessoas negras que não necessariamente defende os negros”. As declarações rapidamente repercutiram nas redes sociais, dividindo opiniões entre apoiadores e críticos.
No campo eleitoral, Jota também fez uma análise do cenário político gaúcho e apontou a pré-candidata Juliana Brizola como favorita na disputa pelo governo do Estado. Segundo ele, o Rio Grande do Sul vive um momento de desgaste político e social, marcado por ciclos que frequentemente caminham na direção oposta do restante do país. O influenciador classificou a situação do Estado como “aterrorizante” e avaliou que esse contexto favoreceria nomes ligados a uma proposta diferente da política tradicional. A fala reforça como o debate eleitoral de 2026 já começa a ganhar força mesmo antes da oficialização das candidaturas.
Ao comentar Porto Alegre, Jota também criticou aquilo que chamou de “zona de comodismo” da capital gaúcha. Para ele, a cidade enfrenta dificuldades de desenvolvimento por falta de investimentos em cultura, turismo e no setor de entretenimento. Em uma das falas que mais repercutiram, o influenciador afirmou que “boa parte dos problemas de Porto Alegre seriam resolvidos com festas”, defendendo maior valorização da vida cultural e noturna da cidade. As declarações misturam provocação, crítica social e análise política — fórmula que ajudou a transformar a entrevista em um dos assuntos mais comentados nas redes ligadas à política gaúcha nesta quarta-feira.