A sessão da Câmara Municipal de Porto Alegre desta quarta-feira (13 de maio de 2026) foi palco de um episódio de agressividade que gerou denúncias de violência política de gênero. A vereadora Juliana Souza (PT) relatou ter sido intimidada pelo vereador Mauro Pinheiro (PP), que arrancou o microfone de suas mãos enquanto ela utilizava a tribuna. O incidente ocorreu no momento em que a parlamentar comentava o escândalo nacional envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
O tema que motivou o embate na capital gaúcha é o vazamento de áudios, revelados pelo The Intercept Brasil, nos quais Flávio Bolsonaro solicita repasses que totalizam R$ 134 milhões a Vorcaro para financiar “Dark Horse“, uma cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O senador confirmou a veracidade dos diálogos, mas alegou tratar-se de uma busca legítima por patrocínio privado, sem uso de dinheiro público ou da Lei Rouanet. No entanto, o mercado financeiro reagiu com forte pessimismo devido à prisão de Vorcaro por crimes financeiros em novembro passado, o que fez o Ibovespa cair mais de 1,8% e o dólar ultrapassar os R$ 5,00 nesta quarta-feira.
A vereadora Juliana Souza declarou em suas redes sociais que o ato de Mauro Pinheiro é um crime e que buscará medidas judiciais e éticas contra o colega. O deputado federal e pré-candidato ao Senado Paulo Pimenta prestou solidariedade à parlamentar, reforçando que a conduta de Pinheiro reflete uma tentativa de silenciamento de mulheres no espaço público e não pode ser tratada com normalidade. Até o fechamento desta edição, o vereador Mauro Pinheiro não havia emitido uma nota oficial de esclarecimento sobre o ocorrido no plenário.
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