O Brasil tem registrado uma mudança importante no seu perfil religioso, marcada pelo crescimento expressivo das religiões de matriz africana. De acordo com dados do Censo Demográfico 2022, o número de adeptos de Umbanda e Candomblé mais que triplicou nos últimos dez anos, alcançando cerca de 1,8 milhão de pessoas — o equivalente a 1,05% da população.

O levantamento, realizado pelo IBGE, considera pessoas com 10 anos ou mais de idade e inclui, na mesma categoria, outras religiões afro-brasileiras. Esse recorte ampliado ajuda a dimensionar o avanço dessas tradições, que vêm ganhando mais visibilidade, reconhecimento e identificação entre os brasileiros.

Entre os estados, o Rio Grande do Sul aparece como destaque nacional, liderando proporcionalmente com cerca de 3,2% da população declarando seguir essas religiões. Na sequência estão o Rio de Janeiro, com 2,5%, e São Paulo, com 1,4%, reforçando a forte presença dessas crenças principalmente nas regiões Sul e Sudeste.

Especialistas apontam que o crescimento não se resume apenas ao aumento no número de praticantes, mas também reflete um movimento de afirmação cultural e combate ao preconceito religioso. A maior abertura para declarar a fé e a valorização das raízes afro-brasileiras têm contribuído para esse novo cenário.

O avanço evidencia uma sociedade em transformação, onde diferentes expressões religiosas passam a ocupar mais espaço e reconhecimento, reafirmando a diversidade cultural que marca a identidade brasileira.