O torcedor colorado já viu esse filme antes. E, ao que tudo indica, vai ter que assistir de novo.

Nos últimos anos, o Internacional deixou de ser um clube que planeja para se tornar um clube que remenda. Remenda elenco, remenda decisões, remenda crises que parecem nunca terminar. A cada temporada, a promessa de reconstrução vem acompanhada de erros que se repetem, como se nada tivesse sido aprendido no caminho.

E quando se fala em responsabilidade, não adianta fugir do principal nome: Alessandro Barcellos.

A gestão que deveria recolocar o clube nos trilhos conseguiu transformar expectativas em frustração. O time oscila, o planejamento é questionável e as decisões, muitas vezes, parecem tomadas sem qualquer estratégia clara. O resultado é um clube que vive de apagar incêndios enquanto os rivais se estruturam.

É verdade que o Internacional já foi prejudicado pela arbitragem em momentos decisivos. Isso faz parte da discussão do futebol e precisa ser apontado quando acontece. Mas não dá para usar isso como cortina de fumaça para esconder problemas muito maiores dentro do próprio clube.

E o episódio mais recente mostra algo ainda mais grave: o total desprestígio institucional. Quando o presidente do Internacional perde força política e respeito nos bastidores, o clube inteiro paga a conta. O Inter fica isolado, sem voz, sem influência e sem capacidade de defender seus próprios interesses.

Mas existe uma responsabilidade que vai além da presidência.

O Conselho Deliberativo não pode seguir assistindo a tudo em silêncio. O Conselho não pode se colocar como vítima de decisões equivocadas da gestão se tem o poder, e o dever, de fiscalizar, cobrar e agir quando necessário.

Se a situação chegou a esse ponto, parte da culpa também está em quem deveria ter pautado, debatido e enfrentado os problemas antes que eles crescessem.

O torcedor está cansado de discursos. Está cansado de promessas que nunca se concretizam. Está cansado de ver o clube patinar enquanto os mesmos erros continuam acontecendo.

Por isso, chegou a hora de uma decisão firme.

Se o Conselho entende que a gestão perdeu o rumo, precisa agir imediatamente. O impeachment do presidente deve ser discutido com seriedade, sem medo e sem conveniência política. O que está em jogo não é uma disputa interna, mas o futuro do Internacional.

Porque, se nada for feito agora, a história já está escrita.

E se o Inter cair novamente em mais uma crise profunda, a responsabilidade não será apenas de quem comanda o clube hoje.

Será também de quem tinha o poder de agir, e preferiu não agir.