O Réveillon de Porto Alegre parece ter perdido sua alma nos últimos anos. Mesmo com esforços da prefeitura e da GAM3 Park para manter a celebração em novos formatos e locais, a realidade é que a festa não tem alcançado a adesão popular esperada. Ainda que bem-intencionada, a festa de fim de ano não tem mais a identidade da cidade.
A Orla do Guaíba, especialmente na região do Gasômetro, sempre foi mais do que um simples cenário: é um símbolo da identidade porto-alegrense. Foi ali que gerações se reuniram para celebrar, encontrar amigos e familiares e compartilhar um momento coletivo de esperança. Nem mesmo a enchente de 2024, que impôs desafios reais à cidade, deveria servir como argumento definitivo para afastar o Réveillon de um espaço que carrega tamanho valor histórico e emocional.
É verdade que Porto Alegre já se adaptou em outros momentos, como quando o Réveillon foi realizado na região da Perimetral, atrás do Beira-Rio, durante as obras. Mas essas mudanças foram exceções, não soluções permanentes. A persistência em manter o evento longe do Gasômetro, mesmo diante da baixa adesão, soa mais como teimosia administrativa do que como sensibilidade com o sentimento da população.
Por isso, o apelo ao prefeito Sebastião Melo é simples e direto: devolva o Réveillon à Orla do Gasômetro. Assim como a Redenção é o palco natural do Baile da Cidade, o Gasômetro é o lugar da virada do ano em Porto Alegre. Resgatar essa tradição não é apenas uma decisão logística, mas um gesto de escuta, pertencimento e respeito à memória coletiva da cidade.